'o amor precisa da sorte. de um trato certo com o tempo. pra que o momento do encontro. seja pra dois o exato momento'
esse texto é para as pessoas que de fato querem viver uma relação de verdade, pra simplificar, claro - porque dos frígidos, dos desamados, dos racionais o mundo já está cheio por demais. naquelas pessoas - eu ainda acredito que sejam a maioria - que estão dispostas a amar. e assim o fazem. tentam, amam, gozam, sofrem, vivem. terminam e começam, mas tentam.
bom, eu tive a oportunidade de viver o amor várias vezes e o deixei escapar pelos dedos. vamos aos fatos:
a eterna insegurança para viver algo sério, por mais que você queira muito
o problema era com você, e não com o outro. não é clichê de término de namoro, caraleo. sabe quando você até projeta boas coisas nele, mas ainda não se sente confortável o suficiente para se deixar levar? e sentir? no momento o que você mais quer é algo não-definitivo, algo provisório, alguém para passar uns bons meses e só. aí o tempo passa, você se distancia, e aquele distanciamento te faz (finalmente!) enxergar essa pessoa com outros olhos. mas aí pode ser tarde, na maioria dos casos. e essa pessoa, dependendo do estado de espírito, pode até vir até você e te agradecer pelos serviços prestados. em resumo: você foi uma boa escola mas o melhor aluno se formou e agora já tem seu negócio próprio. next!
namoro outra pessoa e ele também
esse é tenso! quando surge alguém g-e-n-i-a-l, e o melhor, nem é projeção, é a realidade! ok, ele também sente a mesma coisa. MAS você está com seu namorado ao lado, e ele idem! e não me venham falar de tesão. é isso mas também é muito mais que isso! aí você pensa: 'ah, não vou deixar meu namorado, claro'. e ele 'ah, nem eu'. e você não quer trair ninguém, não quer foder (a vida de) ninguém. você pode apenas ter cruzado com o amor da sua vida na hora errada, bebê. tempos depois você fica solteiro e ele se mudou para o Nepal. ou ele fica solteiro e você nem fica sabendo - só alguns meses depois, quando já pode ser tarde. FAIL pra você.
ter medo de assumir uma relação publicamente*
*isso acontece com todo mundo, mas aqui me permito ser mais específico ainda: ter medo de assumir uma relação gay publicamente.
como é complicado ter medo de assumir sua relação para uma família que ainda pode estar esperando que você apresente aquela namorada bo-ni-ti-nha-pra-ca-sar. ou que até sabe que você é gay, mas não aceita em hipótese alguma que você traga esta relação para a mesa do jantar. é bem frustrante estar com alguém assim. você o ama, está tudo perfeito (até demais), mas a sogra ainda te repudia - e faz complô pro seu namorado terminar contigo e virar homem de verdade. afinal, ela ainda pensa que 'a culpa é sua, seu depravadinho de merda! vai escutar Cher e não procure mais meu filho.' você o ama, o sexo é incrível, o amor é incondicional, mas é restrito as quatro paredes, porque ele não vai te assumir pros amigos. ele não vai se assumir pros amigos. ele não vai colocar você em primeiro plano, porque ele não pode ousar bancar a tua história. e o mais triste: ele não banca nem a si próprio. você percebe que o problema não é você, é ele mesmo (viu, não disse?). problemas de aceitação, não trabalhamos mais. mas e se ele era 'o amor da minha vida'? não há porque tentar saber.
você quer casar, morar junto, dividir as contas e a cama. só você.
quando a gente beira os trinta, a dor nas costas aparece, as contas dobram, a responsabilidade se multiplica. você não quer mais namoro-de-beira-de-portão, você quer morar junto! é pedir demais? ele te ama, ele te trata bem, ele é o cara. mas se incomoda com sua mania de procurar apartamentos no sábado de manhã. não porque é sábado, claro. ele quer voltar pra casa dele. e sentir saudade. e te encontrar amanhã, quem sabe. tem muita gente folgada e encostada por aí, mas tem gente que simplesmente ainda não se sente a fim de morar junto. aí a relação se desestabiliza, as brigas começam e voilá: mais um namoro acabou. ele te amava, você o amava. mas isso não parecia ser o suficiente pra ele estar mais perto, ou pra você saber lidar com a distância, com aquela saudável distância.
você quer. ele também. mas você se afoba demais, sufoca demais. e aí...
isso acontece bastante também. teve uma vez que eu conheci, me apaixonei, quis casar, briguei e me divorcei em três dias. minhas amigas lésbicas me invejaram. aí não pode, né? o amor tem que ser suave, no ritmo certo, quer dizer, no ritmo dos dois. nem intenso demais, nem inerte. ou a pessoa foge ao se assustar com seu amor em demasia ou você mesmo se autosabota e diz que 'ah, ele não me ama tanto quanto eu o amo'. Blergh. Mentira, bobo. Pra amar a gente tem de ouvir primeiro a si mesmo. Estou criando uma atmosfera saudável pra que este amor floreça? Nem sempre.
eu gosto dele demais. mas ele nem tem pêlo no suvaco.
namorar alguém bem mais jovem pode ser um problema. não pela falta de sentimento, claro. mas a diferença de vivência de ambos faz com que anseios e vontades nem sempre sejam iguais. temos de ser muito pacientes para entender isso. afinal você pode ser obrigado a reviver situações de anos atrás pelo simples fato de ajudá-lo em coisas que você já passou - e fez até terapia pra superar. Dose dupla de Rivotril ou término? Acho que o melhor é esperar um pouco e viver essa relação depois de uns quarenta anos. Você careca, divorciado, ela com os peitos no umbigo. Você nem vai mais reparar na idade de ambos. Ou ele já vai ter encontrado um outro amor e você continuará aí, frustrado e olhando para fotos daquele verão de 1991 no Guarujá.
pausa.
e tem aquela parte da vida em que você não pensou muito pra dizer tudo que sentia - talvez nem as palavras fossem necessárias. aquela pessoa que você descomplicadamente se adequa, se encaixa, se reinventa. e acha tudo despropositadamente caminho. aquela pessoa que você sabe que por mais defeitos que ela tenha, são as virtudes que a faz ser tão encantadora aos teus olhos. aquela pessoa que te perdoa de tudo, que perdoa a si mesmo. aquela pessoa que está exatamente no mesmo momento de vida que você. ela não quer mais, nem menos. ela quer é viver ao teu lado. ela quer é gozar no teu compasso. ela quer você. você a quer assim, deste jeitinho, não como antes, nem uma projeção do depois. você quer ela agora. sem contar o tempo.
quando é o exato momento?
qual é a exata medida?
1 comentários:
Quem sabe um dia eu descubra quando será o exato momento. Ótimas reflexões! Abs
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